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13-09-2010 23:54

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1.   O DESENVOLVIMENTO DA RELAÇÃO INTERPESSOAL NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

 

 

A aprendizagem ocupa um lugar de destaque nas teorias psicológicas e constitui um processo amplo e complexo, pois está intimamente relacionado, em uma abordagem, cognitiva, a fatores intra e Inter psíquicos. Essa abordagem teórica explora esse tema a partir de entendimento de que o aprender é uma mudança comportamental e atitudinal, que envolve os planos afetivos, motor e cognitivo. Enfatizam ainda os conteúdos, os tipos, os níveis, os métodos, os contextos, as características da palavra, os estilos de aprendizagem, as sequencias de instruções, assim como as formas de mensuração e avaliação como seus componentes, os quais podem funcionar com fatores facilitadores ou dificultadores da aprendizagem, tanto nos planos dos indivíduos como dos grupos.

 

A vasta literatura, no nível individual, indica inúmeros fatores relevantes para o processo de aprendizagem tais como, a redução da ansiedade que em grão exacerbado prejudica a aprendizagem; a experiência anterior, que auxilia na reconstrução do conhecimento a ser aprendido; o papel do contexto ambiental, como motivador da aprendizagem; o equilíbrio entre a experiência concreta, a abstração, a reflexão e a ação; o contexto social no desenvolvimento da criatividade, do feedback, na aceleração da aprendizagem, da imaginação no desenvolvimento cognitivo,  no modelo de circuito duplo  que favorece a autocorreção e por último, da meta cognição, que permite um melhor entendimento sobre o próprio processo de aprendizagem. (Kearsley, 2001ª, 2001b).

 

 

Segundo Kearsley, salienta sobre os diversos fatores significativos para o processo ensino aprendizagem como a diminuição da ansiedade que pode prejudicar a aprendizagem quando com muita intensidade, a experiência de vida que pode auxiliar na reconstrução do conhecimento a ser adquirido, como a importância do papel do ambiente onde vive com quem vive que motiva a aprendizagem, o controle entre a experiência concreta, abstrata, refletindo e agindo sobre o meio em que vive, favorecendo assim na autocorreção, como também a meta cognição que propiciará uma melhor compreensão sobre o processo.

Contudo, existe inúmera base teórica da psicologia que tem contribuído para as discursões que estão sendo desenvolvidas em aprendizagem organizacional. A rigor um dos grandes desafios que os interessados no tema se deparam é com adequada transposição de conhecimentos produzidos na psicologia individual para o contexto organizacional.

A sociedade moderna está extremamente marcada pelo individualismo, e falar de relação interpessoal, parece ser por vezes uma utopia. Vivemos em um mundo bastante competitivo, em que o espaço para o outro se fecha assustadoramente. Mas, por um lado vemos esta realidade, proposta pela sociedade, por outro, vemos um indivíduo, que entende que viver sozinho não dá, e que precisa do outro.
A experiência original da existência humana é a experiência do encontro de um sujeito pessoal com o meio, que chamamos de mundo. O encontro é empregado para significar não só que cada uma das realidades presentes ou cada uma das duas realidades em relação? Sujeito e mundo? Concorre com alguma coisa para a experiência, mas antes de tudo para significar que cada uma delas é irredutível à outra. O encontro é a experiência de relações entre realidades que estão "por aí", independentemente de experiência do encontro, uma frente à outra. 

 

A relação interpessoal se dá antes, pela compreensão do eu e pela atuação desse eu no meio em que está inserido, ou seja, desse eu que é mediado constantemente pelo outro, "a finalidade da relação é o seu próprio ser, ou seja, o contato com o TU com o TU" (BUBER, 2001, p. 73).

 

Parafraseando o autor, quando se fala de intersubjetividade, compreende-se o fato de que entre os sujeitos que se articulam o sentido da vida que estamos sempre declarando por nosso pensamento e por nossa ação. Por isso, se há coisa da qual não podemos fazer abstração, em nossa declaração de sentido do ser, é a existência do outro, do qual o mínimo que se pode falar é que é nosso interlocutor.

Portanto, o processo de aprendizagem está atrelado às relações interpessoais. Nesse âmbito encontra-se um infindável número de sujeitos, circunstâncias, espaços e tempos. As relações familiares, sociais, institucionais estão estreitamente relacionadas aos resultados finais de avanços ou estagnações em processos de aprendizagem. Reduzindo-se à sala de aula temos nas relações interpessoais entre professores e alunos e a construção de vínculos com a aprendizagem, um dos aspectos fundamentais a serem considerados. Na sala de aula as trocas interpessoais são incessantes e permeiam todo e qualquer procedimento de aprendizagem. Neste sentido a relação interpessoal, torna-se uma correlação, o que de forma alguma diminui a responsabilidade daquele que ensina e a exigência de competência prática como requisito absolutamente necessário para a antecipação das condições de recepção. O caráter bilateral da sensibilização consiste aproximadamente numa certa comunhão de interesses e na assunção de um único compromisso, que se afirma pela diferença daqueles que partilham a mesma situação.

Para Maturana (2002, p.15), “Quando mudamos de emoção, mudamos de domínio da ação”.

Segundo o autor, quando o sujeito muda de emoção consegue mudar a ação, pois é preciso a razão sem o sentimento para predominar uma ação coesa e verdadeira. Na verdade, todos sabem isso na prática da vida cotidiana, mas o negamos porque insistimos que o que define nossas condutas como humanas é eles serem racionais.

Neste contexto, cabe a todos, a professores e aprendizes responsabilidade de descobrir-se enquanto sujeitos construtores da inter-relação, que se dá, sobretudo, pelo diálogo. Mas que também leva em consideração o respeito às diferenças. Se entendêssemos isso, seria possível pensar em uma escola que de fato correspondesse com os anseios e necessidades da sociedade, que é profundamente marcada pelo egoísmo e pela competição. E essa relação construída no espaço educativo tenderia a se estender sobre os demais âmbitos sociais (família, igreja, comunidade). E a escola cumpriria seu papel de fato, que seria dar para sociedade um profissional competente, formado humanamente em sua integridade.

Um fator que contribui para uma sociedade analfabeta é a violência interpessoal, pois como será possível constatar a seguir, a agressividade é a tendência de resolução de conflitos interpessoais mais estudadas na literatura, provavelmente por envolver maior risco para os envolvidos nos possíveis confrontos que enseja.  É ainda, a que mais apresenta dificuldades como objeto de investigação, porque o comportamento dela resultante, a agressão, é uma conduta que além da episódica, não é facilmente definida, assumindo diferentes formas de manifestação, cuja evolução é também variável, e também, porque está sujeito a influencia de variáveis, tanto biológicas tanto sociais.

 Portanto, os conflitos interpessoais, aqui entendidos como situações de interação social de confronto, desacordo e frustrações que são desencadeadores do afeto negativo, podendo ser resolvidos de forma agressiva e pacifica, a depender dos recursos cognitivos e afetivos dos envolvidos e dos contextos sociais na qual estão inseridos.

Todavia, uma boa realização pessoal e interpessoal no âmbito escolar necessita de um acompanhamento a todos os momentos e fases da formação do ser humano. Os educadores das séries iniciais deparam frequentemente com crianças e adolescentes com problemas de dificuldades de aprendizagem tanto na leitura quanto na escrita.

Por isso, a necessidade da busca de compreender as relações estabelecidas no espaço social escolar é indispensável, considerando que esse espaço escolar é essencial para os humanos e nele nos fortalecemos como aprendizes. Neste contexto, é mister, que a instituição educacional saiba lidar com as questões interpessoais, desenvolvendo ações que tenha por finalidade, fortalecer as relações, gerando autoconfiança e respeito na convivência escolar, ações essas que ajudarão educandos e profissionais a permanecerem confiantes.